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Aulas de Música - Teoria Musical, Violão, Curso, Teclado, Instrumento

 

 

Arranjos musicais | por Sérgio Gomes

“Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração.” (Colossenses 3.16)

Louvor com arte

“Creio que, como cristãos, somos chamados a uma experiência de crescimento contínuo até a maturidade. Quando Jesus declarou, em Mateus 5.48, “Sede vós perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”, a primeira menção da palavra “perfeito” refere-se à maturidade e ao crescimento. Perfeição não significa que você nunca falhe, pois não atingiremos a perfeição total senão quando contemplarmos a Deus face a face. O que a Palavra quer dizer é que somos chamados, de forma progressiva e contínua, a nos tornar conforme a sua imagem e semelhança.” (Ron Kenoly)

Desenvolvimento e elaboração da música no Velho Testamento

Um exemplo bíblico de crescimento na área da adoração pode ser visto quando comparamos as passagens de Êxodo 15 e II Crônicas 5 a 7. Em Êxodo 15.20, Miriã tomou o tamboril, e no versículo 21 ela cantou para eles. Nesta primeira referência bíblica de um cântico de louvor podemos observar como a adoração brotou espontaneamente de um hino que Moisés escreveu agradecendo a libertação que Deus provera ao povo.

Percebemos uma diferença drástica, porém, quando lemos sobre a dedicação do templo feita por Salomão, conforme narrado em II Crônicas 5.12-14. Vemos que os israelitas tinham progredido bastante desde os tamboris. O que mudou? É que o povo havia crescido em sua experiência de adoração. Portanto, devemos crescer e nos desenvolver em tudo o que diz respeito a louvor e adoração.

Composição, arranjo, ensaios e orquestração no Ministério Diante do Trono

É importante salientar que a mesma unção que o Senhor derrama sobre o compositor deve estar também sobre os arranjadores e em cada um dos intérpretes. Nós, do Diante do Trono, temos buscado incessantemente no Senhor, com jejuns, orações e retiros espirituais, que o próprio Espírito de Deus esteja agindo por nosso intermédio.

Tudo começa assim: a Ana Paula recebe as canções do Senhor. Paulo Abucater ou Gustavo Soares harmonizam a canção, introduzindo o que se chama de “cifras”. Eu dirijo os ensaios de base organizando esses arranjos, e escolhemos em grupo a melhor tonalidade e o melhor andamento – sempre levando em conta que é uma música para ser cantada com a congregação. Enquanto aprendemos a melodia, Maximiliano Moraes já começa seu trabalho fazendo suas anotações e criando alguns arranjos vocais.

Depois da maior parte do repertório do CD escolhida, começo, então, a fazer as orquestrações buscando dar equilíbrio e conjunto ao CD como um todo. Uma das formas de se começar um arranjo é anotar as seguintes definições na música:

Groove – É a levada da banda, ou seja, o ritmo do acompanhamento.

Hook – É usado como um sinal para se voltar a uma determinada seção da música.

Reef – Parte de um acompanhamento onde toda a base toca junto.

Temos como exemplo a música “Me Libertou”, do CD Diante do Trono 1. O primeiro groove é um funk, e o segundo, no coro, é um mambo. Na introdução, temos um reef repetido duas vezes, que também aparece no coro e no final da música. Assim, podemos usar os metais reforçando esses reefs e também os hooks.

Estudo das formas musicais

A compreensão da forma musical é de extrema importância para o arranjador, porque com esse conhecimento ele ajuda a construir a música e pode conferir à mesma uma dinâmica que, com certeza, a tornará mais interessante. Quanto mais elaborada for a forma da canção, mais condições o arranjador terá para trabalhar. No entanto, quando a forma for simples, o arranjador deve ter atenção redobrada – isto não significa que o arranjo deva ser pobre; pelo contrário, deve ser simples mas muito criativo e requintado.

Na forma usual, temos: Introdução, verso, coro, ponte, tag (coda) e fim.

Introdução: São os primeiros acordes da música, aqueles que darão noção à congregação sobre qual música será cantada.

Verso: São seções da música onde a história da canção é desenvolvida.

Coro: É a seção da música onde supostamente se canta a conclusão da história.

Ponte: É a parte da canção que não foi cantada antes e nem será mais cantada depois; é como, literalmente, uma “ponte” de ligação entre trechos da música. Muitas vezes o clímax da música está na ponte.

Tag: São as últimas frases da música, que em geral são repetidas para firmar a idéia da canção.

Fim: Pode ser cantado ou apenas instrumental; muitas vezes faz referência à introdução ou a determinado trecho de destaque da canção.

Temos como exemplo de forma elaborada a canção “Vem”, do CD Exaltado: Introdução, verso 1, verso 2, coro 1, coro 2, HOOK; verso 1, verso 2, coro 1, coro 2; ponte 1, ponte 2, coro 1, coro 2; ponte 1, ponte 2, ponte instrumental 1, ponte instrumental 2; FINAL (com variação do HOOK). Já como exemplo de forma simples, temos a canção “Dono do Meu Coração”, do mesmo CD: Introdução, verso 1, coro; verso 2, coro; verso 3, coro; verso 4, repetição do verso 4, introdução (como ponte); coro e tag.

Nesta última canção temos um belo exemplo de arranjo vocal com forma simples. Ele abusa das combinações vocais, como solos, duetos, trios, mulheres em uníssono, homens em uníssono, todos a capella em uníssono e também harmonizados, e ainda muitas modulações. O arranjo instrumental teve que ser, então, um simples ornamento, porém bem refinado. Neste caso, temos um trio de flauta, viola e trompa, com acompanhamento de piano.

Tendo conhecimento e desenvolvendo uma forma como esta, o arranjador poderá dar uma dimensão maior à música, reconhecendo o seu ponto culminante para o uso das texturas (quantidade de instrumentos ao mesmo tempo), os lugares de tensão e de relaxamento musical, além de timbres a serem usados, descobrindo pontos ideais para a polifonia (vozes caminhando independentemente) e a homofonia (vozes diferentes com a mesma divisão rítmica), tornando seu arranjo mais rico e coerente.

Melodia e arranjo instrumental

É importantíssimo observar que o arranjo para os metais não deve confundir ou encobrir a melodia, porque esta deve estar sempre em primeiro plano (principalmente quando for uma música vocal, onde a maior importância deve ser dada à letra da música, onde se encontra a mensagem a ser transmitida). Procure, então, os espaços entre as frases e as notas longas da melodia.

Arranjos espontâneos e improvisações

O grupo instrumental deve fluir em arranjos espontâneos da mesma forma que o grupo vocal. Chamo de espontâneos aqueles momentos em que o líder de louvor leva a congregação a dedicar ao Senhor um cântico novo, feito naquele momento. O instrumentista deve fazê-lo também, mas lembre-se que precisamos ter discernimento para perceber o momento em que devemos tocar e, principalmente, parar de tocar.

Vejo a improvisação, pessoalmente, como um “tempero na comida”, como o sal ou a pimenta. Um pouquinho vai bem, e no ponto certo é ainda melhor. Mas, se passar do ponto, estraga tudo. Aconselho ao arranjador determinar alguns pontos no seu projeto (um CD como um todo) para a improvisação ou solo instrumental, principalmente tratando de um trabalho de louvor e adoração congregacional.

Adoração (João 4.23,24)

Ao entrarmos na presença do Senhor, ao contemplá-lo, rasgamos nossa alma. Temos no coração uma paixão tão grande por Jesus que sentimos com freqüência o desejo de dizer somente “Jesus, Jesus, Jesus...” Ele é o Amado de nossa alma. Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.

Quando estamos adorando ao Senhor, nossas necessidades, que já são conhecidas por Ele antes que venham aos nossos lábios, são atendidas. Ele intervém e nos vai revelando, de maneira gloriosa, a mais profunda adoração; vai testificando em nosso espírito a oração respondida. A adoração ao Senhor por meio do louvor é oração poderosa.



Sérgio Gomes

 

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